(65) 3615-5221
Menu

Nossos Serviços

Corpo Clínico

Guia Paciente

Convênios

Radioterapia

Ouvidoria

Onde Estamos

Notícias

NO DIA MUNDIAL SEM TABACO, PESQUISA REVELA QUE GASTOS COM O TABAGISMO SOMAM QUASE 57 BILHÕES DE REAIS POR ANO

Publicado por Inca em 18/07/2017 às 14:50


Todos os anos, R$ 56,9 bilhões são gastos pelo Brasil com despesas médicas e em perda de produtividade provocadas pelo tabagismo. Em contrapartida, o País arrecada anualmente apenas R$ 13 bilhões em impostos sobre a venda de cigarros, ou seja, esse valor cobre apenas 23% dos gastos com os males causados pela epidemia do tabaco. “Esse é um dia histórico porque colocamos por terra um dos principais argumentos da indústria do tabaco – o que de gera empregos [renda]", disse Tânia Cavalcante, secretária executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), na sede do INCA, no Rio de Janeiro, durante evento em comemoração ao Dia Mundial Sem Tabaco 2017. O tema escolhido este ano pela Organização Mundial da Saúde é Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento. Os dados, inéditos, são da pesquisa: Carga de doença atribuível ao uso do tabaco no Brasil e potencial impacto do aumento de preços por meio de impostos, documento técnico elaborado pelo Instituto de Efectividad Clínica y Sanitária (IECS), da Argentina, com apoio do INCA, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Também foi lançada a campanha publicitária do Ministério da Saúde e do INCA, com o slogan:  O cigarro mata.
A pesquisa teve a participação de mais de 40 pesquisadores e formuladores de políticas de saúde de universidades, centros de pesquisa e instituições públicas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Os resultados foram obtidos por meio de um modelo matemático desenvolvido pelo grupo de pesquisa que permite estimar a probabilidade que as pessoas têm de ficarem doentes ou morrerem devido a cada uma das principais doenças associadas ao tabagismo.
 
 Ainda na solenidade, foram conhecidos os dados sobre tabagismo da pesquisa Vigilância sobre Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel): de 2006 a 2016, a prevalência de fumantes nas capitais brasileiras foi reduzida em 35% (de 15,7%, em 2006, para 10,2% em 2016). A pesquisa foi feita por telefone nas 26 capitais e Distrito Federal e contou com 53.210 entrevistas. Separada por gênero, a frequência de fumantes é maior no sexo masculino (12,7%) do que no feminino (8,0%). Analisada por faixa etária, a pesquisa mostra que a frequência de fumantes é menor entre os adultos antes dos 25 anos (7,4%), ou após os 65 anos (7,7%) e maior na faixa dos 55 a 64 anos (13,5%).

A pesquisa Vigitel 2016 também constatou que a frequência do tabagismo diminui com o aumento da escolaridade nas três faixas (de 0 a 8 anos de estudo, 9 a 11 anos ou mais de 12 anos). Nessas três faixas, a frequência é maior entre homens e mulheres com até oito anos de estudo (17,5% e 11,5%, respectivamente); o percentual é duas vezes maior em relação a indivíduos com 12 ou mais anos de estudo (9,1% e 5,1%). “Claro que é uma história de sucesso: o Brasil, entre 195 países, foi o que mais reduziu a prevalência de fumantes", disse a professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e colaboradora da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Fátima Marinho, que apresentou os dados do Vigitel. O levantamento também mostrou que entre as capitais com maior prevalência de fumantes estão Curitiba (14%), Porto Alegre (13,6%) e São Paulo (13,2%). Salvador foi a capital com menor prevalência de fumantes (5,1%).
Para a economista e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, Marcia Pinto, uma das autoras da pesquisa sobre a carga econômica das doenças atribuíveis ao tabaco, “uma das medidas mais efetivas, se não ‘a’ mais efetiva para a redução no número de fumantes, foi o aumento da tributação do cigarro a partir de 2011". Assim, as projeções estatísticas do estudo mostram que, por exemplo, se o preço do cigarro for reajustado em 50%, em 10 anos será possível evitar mais de 136 mil mortes e se obter ganhos econômicos de R$ 98 bilhões. Por isso mesmo, para Andrés Pichon, pesquisador do IECS, o principal objetivo do trabalho é que possa “produzir mudanças nos países da região".

A indústria do tabaco sabe disso. E assim, por meio da Confederação Nacional da Indústria, impetrou Ação Direta de Inconstitucionalidade contra resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe o uso de aditivos que conferem sabor  e aroma em cigarros, tornando-os mais palatáveis, principalmente à primeira experimentação. “A relatoria do caso está a com a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal. Estamos tentando sensibilizar o Supremo [sobre a importância da manutenção da resolução da Anvisa]", disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que participou do evento por videoconferência. “A ação questiona o poder proibitivo da Anvisa em regular produtos de tabaco. Isso pode mudar a ação de todas as agências reguladoras", preocupou-se a titular da Gerência-Geral de Produtos Derivados do Tabaco da Anvisa no Rio de Janeiro, Patrícia Francisco Branco.

A diretora-geral do INCA, Ana Cristina Pinho, lembrou que o tabagismo é uma doença pediátrica, porque o tabagismo “captura" crianças e adolescentes pela experimentação, e  atinge mais a renda do mais pobres, citando dados do IBGE: “Cerca de 0,92% da renda mensal de um assalariado", o equivalente ao que ele gasta com educação, “é gasto com cigarro". Ela acentuou ainda o problema provocado nas lavouras, com a “doença da folha do tabaco" [responsável por náuseas, dores de cabeça etc], transmitida ao agricultor devido ao manuseio do produto, e o trabalho infantil.

O evento foi encerrado com um emocionante depoimento de Malga Di Paula, viúva do humorista Chico Anysio, morto em 2012, vítima de enfisema pulmonar após muitos anos como fumante. Sua apresentação abriu a campanha publicitária do Ministério da Saúde O cigarro mata que mostra, de forma direta e impactante, a dor dos que perderam seus entes queridos para o tabagismo.
 
 Além de Ana Pinho, Patrícia Branco e Tania Cavalcante, compuseram a mesa de abertura da solenidade a vice-diretora de Pesquisa do Instituto Fernandes Figueira, Kátia Sydronio; o advogado da Procuradoria-Regional da União da 2ª Região, Eugênio Müller; o superintendente regional da Receita Federal da 7ª Região, Marcus Pontes; o coordenador da Unidade Técnica de Determinantes Sociais e Riscos à Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da Opas, Roberto Del Águila; e o diretor médico de projetos da Fundação do Câncer, Alfredo Scaff. 
(65) 3615-5221
GFP Publicidadee-box - Sitevip InternetSitevip Internet