Doença ainda é pouco conhecida e costuma acometer homens jovens, principalmente entre 20 e 35 anos
O mês de abril é dedicado à conscientização sobre o câncer de testículo, uma doença pouco conhecida, que atinge principalmente homens jovens. A campanha busca ampliar o acesso à informação, incentivar o autocuidado e quebrar tabus que ainda dificultam o diagnóstico em estágios iniciais.
Um levantamento recente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), baseado em dados do Ministério da Saúde, indica que o País registrou cerca de 4,1 mil mortes decorrentes do câncer de testículo na última década. Os números mostram ainda que 17 mil cirurgias para remoção do testículo foram realizadas entre 2016 e 2025, em decorrência da doença.
Segundo a SBU, o câncer de testículo representa 5% dos tumores urológicos e acomete principalmente homens jovens em idade reprodutiva. Ao todo, 61% das mortes registradas ao longo da última década ocorreram entre 20 e 39 anos.
Especialistas garantem que o câncer de testículo apresenta altas taxas de cura, especialmente quando identificado precocemente. No entanto, o desconhecimento e o preconceito ainda são barreiras que dificultam o diagnóstico em estágios iniciais.
Um dos objetivos da campanha é alertar sobre a importância do autoexame testicular. É uma forma simples e eficaz de detectar alterações precocemente. Pode ser feito mensalmente, de preferência após um banho quente, quando a pele do escroto está mais relaxada. Qualquer alteração pode ser um alerta.
Especialistas destacam que falar abertamente sobre o tema é essencial para quebrar tabus e salvar vidas. “Nós homens temos que falar mais sobre esses assuntos e estar mais atentos à nossa saúde. É essencial que os homens conheçam o próprio corpo e realizem o autoexame regularmente. Falar sobre o tema e incentivar o cuidado preventivo são atitudes que salvam vidas”, afirma Fernando Leão Costa, urologista da Oncomed.
Os principais sinais de alerta incluem caroços ou aumento de volume nos testículos, sensação de peso na bolsa escrotal, dor leve ou desconforto na região. Se perceber alterações, o homem deve procurar orientação médica imediatamente.
De acordo com os urologistas, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença é a criptorquidia, quadro em que o testículo não desce para a bolsa testicular durante a infância. Outros fatores incluem histórico familiar, síndromes genéticas e problemas relacionados à fertilidade.
O tratamento padrão inicial é a remoção cirúrgica do testículo alterado, chamada de orquiectomia. Porém, em alguns casos, pode ser indicado também quimioterapia, radioterapia ou linfadenectomia (remoção de gânglios linfáticos abdominais).
A mobilização durante o mês de abril reforça a importância da informação como principal aliada na luta contra o câncer de testículo. “O Abril Lilás é um momento fundamental para reforçarmos a importância do cuidado com a saúde masculina, especialmente na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de testículo. Muitos casos ainda são descobertos tardiamente por falta de informação ou pelo receio de procurar atendimento médico. Quanto mais disseminarmos essas informações, melhor”, resume o urologista.
