Câncer do sistema linfático pode começar com uma íngua que não dói

Os linfomas fazem parte de um grupo de cânceres que afetam o sistema linfático, responsável, entre outras funções, pela defesa do organismo. No Brasil, a doença deve atingir milhares de pessoas nos próximos anos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 15.630 novos casos por ano no triênio 2026-2028, considerando os dois principais tipos de linfoma. Desse total, 12.560 devem ser de linfoma não Hodgkin, enquanto 3.070 correspondem ao linfoma de Hodgkin.

Embora os linfomas não estejam entre os tipos de câncer mais frequentes na população em geral, estão entre os hematológicos mais comuns. E, ao contrário do que o nome pode sugerir, não existe apenas um tipo de linfoma. A doença reúne diferentes formas, que podem ter comportamentos bastante distintos.

“Há tipos indolentes, que evoluem lentamente e podem permanecer sem sintomas por bastante tempo. Em algumas situações, eles podem ser apenas acompanhados pela equipe médica”, explica a hematologista da Oncomed-MT, Gabriela Matias Iglesias.

Na outra ponta estão os linfomas agressivos, que podem evoluir rapidamente e, por isso, exigem que o tratamento seja iniciado com mais agilidade. Isso, no entanto, não significa que sejam necessariamente mais difíceis de tratar. “Justamente por responderem bem ao tratamento, alguns tipos agressivos apresentam altas possibilidades de cura”, esclarece a médica.

A idade também é um fator importante. De modo geral, os linfomas se tornam mais frequentes com o envelhecimento, mas podem aparecer em pessoas de qualquer faixa etária.

Fique atento aos sinais – Um dos desafios dos linfomas é que os primeiros sinais podem ser discretos e facilmente confundidos com doenças mais comuns. Um exemplo é o surgimento de ínguas, ou seja, gânglios aumentados, principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha. Normalmente, elas não provocam dor.

Febre sem causa aparente, suor noturno intenso, cansaço persistente e perda de peso sem intenção também estão entre os sinais que merecem atenção.

Isso não significa, porém, que a presença desses sintomas seja sinônimo de linfoma. Eles podem aparecer em diversas outras condições. O sinal de alerta aumenta quando os sintomas persistem, quando os gânglios continuam crescendo ou quando vários deles aparecem ao mesmo tempo. “Quando há sintomas persistentes, é importante procurar avaliação médica para entender a causa”, orienta Gabriela.

A confirmação do linfoma depende de uma investigação médica. Quando existe suspeita, a biópsia de um tecido ou linfonodo é fundamental para identificar se há doença e, principalmente, qual é o tipo de linfoma. Essa informação é essencial para definir o tratamento mais adequado.

O tratamento varia de acordo com o tipo de linfoma, o estágio da doença e as características de cada paciente. Dependendo do caso, podem ser utilizadas estratégias como quimioterapia, imunoterapia e radioterapia. Entre as opções mais avançadas está a terapia com células CAR-T, que utiliza células do próprio sistema imunológico do paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e combater as células do câncer. O Brasil já realiza procedimentos via rede privada e estudos públicos pioneiros, mas a terapia ainda é considerada de alto custo.

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