Mutirão da Oncomed atende 117 mulheres e amplia acesso à prevenção do câncer de mama

Ação solidária realizada neste sábado (10) ofereceu consultas e mamografias gratuitas. A iniciativa reuniu mulheres de diferentes bairros e reforçou a importância do diagnóstico precoce e da inclusão no atendimento à saúde

Aos 46 anos, Christiane Catarina de Melo Conceição saiu do Jardim das Palmeiras, na região do Coxipó, acompanhada de amigas, para participar de uma ação que considera importante para a saúde das mulheres. Pela primeira vez, ela fez uma mamografia e, ao contrário da tensão que imaginava sentir, ficou tranquila durante o exame. “Foi maravilhoso. Espero que faça mais vezes para incentivar as mulheres a fazer os exames, porque é muito bom fazer essa ação para todos nós”, afirma.

Christiane foi uma das 117 mulheres atendidas pelo mutirão solidário promovido pela Oncomed-MT e parceiros, neste sábado (10), em alusão à campanha Outubro Rosa. Do total, pelo menos, 40 mulheres passaram por consulta e realizaram mamografia. Ao longo da próxima semana, a equipe da Oncomed-MT entrará em contato com as demais participantes para informar os resultados dos exames e agendar a mamografia para aquelas que não conseguiram realizar o procedimento durante a ação.

Mãe de dois filhos, Christiane também destacou a importância de iniciativas que aproximam os serviços de saúde da população. Ela chegou acompanhada de um grupo de aproximadamente 20 a 30 mulheres do próprio bairro. “Se todos os hospitais fizessem isso, seria maravilhoso para a população”, avalia.

A experiência de Christiane representa o propósito do mutirão que é facilitar o acesso à prevenção, estimular o cuidado com a saúde e ampliar as oportunidades de diagnóstico precoce. Para muitas mulheres, a oferta gratuita de consultas e exames representa a possibilidade de realizar um acompanhamento que, por questões financeiras ou dificuldades de acesso aos serviços públicos, poderia ser adiado.

É o caso de Gilda Maria de Oliveira, de 63 anos, também moradora da região do Coxipó. Ela contou que costuma fazer acompanhamento a cada dois anos e procura manter a atenção à própria saúde. Ao avaliar a iniciativa, ressaltou a importância da gratuidade. “Ajuda bastante”, disse. Questionada sobre a possibilidade de pagar pelo exame particular, explicou que precisaria esperar dois ou três anos para conseguir realizá-lo.


Prevenção durante todo o ano – A oncologista clínica Cristina Guimarães Inocêncio ressalta que a conscientização sobre o câncer de mama não deve se limitar a outubro. Segundo ela, os cuidados devem ser contínuos, com a realização de exames, atenção aos sinais do corpo e busca por atendimento diante de qualquer alteração suspeita. “Outubro Rosa devia ser de janeiro a dezembro, porque são todos os meses que a gente tem que estar consciente da saúde da mulher”, destacou.

A médica ressaltou ainda que a informação é uma das principais ferramentas para enfrentar a doença. Além de disponibilizar consultas e exames, ações como o mutirão contribuem para conscientizar as mulheres sobre a importância de buscar atendimento e não adiar os cuidados com a saúde.

Esperança para mulheres em situação de vulnerabilidade – A importância da iniciativa também foi destacada por Janaína Santana, presidente da Associação dos Pacientes Oncológicos de Cuiabá (APOC). Ao falar sobre a experiência de quem acompanha de perto a realidade dos pacientes, ela observa que os casos de câncer de mama têm aumentado, inclusive entre mulheres mais jovens. “Ações como essa fazem toda a diferença na prevenção e, com certeza, na vida dessas mulheres”, afirma.


Acessibilidade – O mutirão também trouxe à tona um desafio importante que é garantir que as mulheres com deficiência tenham acesso efetivo aos serviços de saúde. Mariana Ferreira Lutes, de 57 anos, pedagoga aposentada, perdeu a visão há 11 anos em decorrência de retinose pigmentar. Desde então, participa de organizações voltadas às pessoas com deficiência visual e integra um grupo independente de mulheres cegas e com baixa visão de Mato Grosso.

Mariana participou da ação em busca de atendimento e para tentar incluir outras cinco mulheres do grupo. Segundo ela, barreiras de acessibilidade e a falta de autonomia durante o atendimento dificultam a realização de exames preventivos. “A gente tem independência, só precisa de oportunidade, mas as pessoas não dão essa oportunidade para a gente e acabam sendo capacitistas. A gente não consegue, a gente não pode fazer sozinho”, relatou.


Continuidade do atendimento – Com 117 mulheres atendidas, o mutirão da Oncomed encerra a ação presencial deste sábado com o compromisso de dar continuidade ao acompanhamento das participantes. Durante a próxima semana, a equipe entrará em contato com as mulheres que ainda aguardam retorno dos exames e organizará o agendamento das mamografias pendentes.

A iniciativa reforça que a prevenção depende da combinação entre informação, acesso aos serviços e acompanhamento. Para Christiane, Gilda, Mariana e tantas outras mulheres, a oportunidade de realizar um exame pode representar um passo decisivo para cuidar da saúde, esclarecer dúvidas e buscar ajuda no momento certo.

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